Glossário

 

 A 

Acesso vascular – Forma de acesso à corrente sanguínea. De forma a se poder realizar o tratamento de hemodiálise, é indispensável a existência de um acesso vascular (fístula, enxerto ou prótese).

Anemia – Situação clínica em que se verifica uma diminuição abaixo do normal do número de eritrócitos e/ou da quantidade de hemoglobina. A anemia não se constitui um diagnóstico, mas é um sinal de que se passa algo na saúde da pessoa.

Antibióticos – Também denominados agentes antimicrobianos, os antibióticos são medicamentos que matam ou inibem o crescimento de bactérias, ajudando a curar infeções em pessoas, animais e, por vezes, em plantas. Os antibióticos destinam-se a tratar infeções causadas por bactérias. Nem todos os antibióticos são ativos contra todas as bactérias. Existem mais de 15 classes diferentes de antibióticos que se diferenciam entre si pela sua estrutura química e pelo seu modo de ação contra as bactérias. Um antibiótico pode ser eficaz contra vários tipos de bactérias ou contra apenas um.

Os antibióticos são eficazes apenas contra as infeções bacterianas e, como tal, não ajudam a curar infeções causadas por vírus, como a constipação ou a gripe, já que pura e simplesmente não funcionam contra as infeções virais. Os agentes antimicrobianos eficazes contra vírus são, normalmente, denominados medicamentos antivirais (como os medicamentos para a gripe, o VIH e o herpes).

Anticoagulante – Medicamento que impede a formação de coágulos no sangue.

Autocuidado – Conjunto de cuidados gerais que cada indivíduo pode desenvolver autonomamente ou sob a orientação de terceiros.

 

 C 

Calcificação – Processo degenerativo de um tecido orgânico por depósito de sais de cálcio.

Cateter – Pequeno tubo que faz a ligação do exterior com uma grande veia para permitir a saída e a entrada de sangue em quantidades suficientes para o tratamento.

Cavidade peritoneal – Espaço que circunda a membrana peritoneal, na região abdominal, e que é utilizado para a deposição de líquido, durante as sessões de diálise peritoneal.

Creatinina – A creatinina existe no sangue e é um produto do metabolismo muscular, sendo filtrada do sangue pelos rins e excretada pela urina. As alterações da sua concentração no sangue refletem o estado de saúde dos rins. Quando a função renal diminui, menos creatinina é excretada e a sua concentração sanguínea aumenta. O nível de creatinina é um dos indicadores para avaliar a função renal, permitindo o diagnóstico e o acompanhamento da evolução e terapêutica de doenças renais ou de doenças que lesam os rins, como a diabetes. Usa-se também para avaliar eventuais alterações da função renal provocadas por alguns medicamentos ou contrastes radiológicos. A concentração da creatinina no sangue também é empregada para estimar a taxa de filtração glomerular que é uma medida da função renal. Níveis elevados de creatinina no sangue são sugestivos de uma possível infeção bacteriana no rim, lesão ou inflamação dos vasos sanguíneos nos rins causada por doenças auto imunes, obstrução do trato urinário resultante de doenças da próstata ou pedras nos rins. Pelo contrário, níveis baixos de creatinina resultam geralmente da diminuição da massa muscular e não têm significado clínico.

 

 D 

Dador em morte cerebral (MC) – Dador falecido a quem foi declarada a morte com base em critérios neurológicos, verificando-se a cessação irreversível das funções do tronco cerebral.

Dador em paragem circulatória (PC) – Dador falecido a quem foi declarada a morte com base em critérios circulatórios, verificando-se a cessação irreversível das funções cardiocirculatórias.

Dador sequencial – Recetor de um transplante de órgão (fígado), cujo órgão nativo pode ser considerado para transplantação noutro doente.

Dador vivo – Pessoa que doou um órgão (rim ou porção de fígado), em vida.

Débito urinário – Quantidade de urina eliminada pelos rins em determinado período de tempo. débito in Termos Médicos [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-02-28 18:20:11]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/termos-medicos/débito

Diálise – Técnica que substitui algumas das funções do rim e que consiste na remoção de resíduos e do excesso de líquidos do sangue. Processo de depuração (purificação) do sangue.

Diálise peritoneal – Tratamento de substituição da função renal em que se utiliza a membrana peritoneal como filtro.

Diálise Peritoneal Automatizada (DPA) – Método de diálise peritoneal, no qual se utiliza uma máquina para se proceder às trocas de líquidos.

Diálise Peritoneal Contínua Ambulatória (DPCA) – Método de diálise peritoneal, no qual todas as trocas de líquidos são feitas manualmente, normalmente pelo próprio doente.

Doença renal crónica – Processo que resulta da deterioração dos rins e que se caracteriza por uma evolução mais lenta e com um grau de lesão que não é passível de recuperação total, exigindo um acompanhamento nefrológico regular para o tratamento atempado das complicações resultantes da deterioração das funções do rim. As duas principais causas são a diabetes e a pressão sanguínea alta. É muitas vezes referida como ‘insuficiência renal crónica’.

 

 E 

Enxerto – Material cirúrgico em forma de tubo, que é colocado no interior da pele do braço ou coxa, sendo um extremo ligado a uma veia e outro a uma artéria, para permitir ser puncionado com agulhas de hemodiálise. Sente-se um frémito ao palpá-la, sendo uma estrutura mais rígida.

 

 F 

Fístula – Tipo de acesso vascular, em que se faz ligação entre uma artéria e uma veia, para que essa mesma veia vá aumentando de calibre, permitindo uma mais fácil colocação das agulhas e a saída de sangue na quantidade necessária. A construção da fístula é um ato cirúrgico.

Fósforo – Elemento de origem mineral que se encontra amplamente difundido pelos alimentos, sejam eles de origem animal ou de origem vegetal, existindo em maior quantidade nos alimentos de origem animal. A absorção do fósforo pelo organismo é muito fácil, chegando mesmo aos 70% do que existe nos alimentos. O fósforo encontra-se, também, em todas as células do nosso corpo. Desempenha funções muito importantes no nosso organismo. A destacar o da formação e manutenção dos nossos ossos e dentes. A sua forma natural de eliminação é através da urina.

 

 H 

Hematoma – Saída de sangue de um vaso sanguíneo (veia ou artéria) para o espaço corporal circundante. Normalmente, conhecido como nódoa negra.

Hemodiálise – Tratamento de substituição da função renal em que se recorre a uma máquina que promove a passagem do sangue através de um filtro ou dialisador.

Hemorragia – Saída indesejada de sangue de um vaso sanguíneo (veia ou artéria) para o exterior.

Hemostase – Processo que se segue à retirada das agulhas, com compressão no local, com a finalidade de evitar a saída indesejada de sangue pelos orifícios que resultaram da punção.

Hiperfosfatemia – Aumento da concentração de fósforo no sangue.

 

 I 

Imunossupressores – Também designados antirrejeição. Designam medicamentos que têm como objetivo atenuar a resposta imune dos indivíduos que receberam transplantes de órgãos, de forma a prevenir a sua rejeição. Atuam sobre as células de defesa do organismo impedindo a produção ou a atuação dos anticorpos e dificultando o reconhecimento de proteínas estranhas, entre outros. Os medicamentos imunossupressores diminuem as defesas do recetor para que este não ataque o órgão transplantado, mas simultaneamente diminuem também as defesas contra infeções e cancros.

 

 L 

Lesão renal aguda – Consiste no rápido declínio (dias a semanas) da função do rim sendo, na maior parte dos casos, reversível. As causas devem-se a situações que lesam a função renal como, por exemplo, desidratação, intoxicações, traumatismos, queimaduras graves, medicamentos. É muitas vezes referida como ‘insuficiência renal aguda’.

 

 M 

Medicamento – Toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.

(Estatuto do Medicamento, Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto).

Medicamentos genéricos – Um medicamento com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, a mesma forma farmacêutica e cuja bioequivalência com o medicamento de referência haja sido demonstrada por estudos de biodisponibilidade apropriados.

(Estatuto do Medicamento, Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto).

O Decreto-Lei nº 176/2006 de 30 de agosto esclarece ainda no artigo 19º que os medicamentos genéricos só podem ser comercializados:

  • Dez anos após a autorização inicial do medicamento de referência, concedida a nível nacional ou comunitário.
  • Onze anos após a autorização inicial do medicamento de referência, caso, nos primeiros oito dos dez anos, o titular da autorização de introdução no mercado do medicamento de referência tenha obtido uma autorização para uma ou mais indicações terapêuticas novas que, na avaliação científica prévia à sua autorização, se considere trazerem um benefício clínico significativo face às terapêuticas até aí existentes.

Medicamento de referência (ou inovador) – Medicamento que foi autorizado com base em documentação completa, incluindo resultados de ensaio farmacêuticos, pré-clínicos e clínicos.

(Estatuto do Medicamento, Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto).

 

 N 

Nefropatia diabética – Termo médico que indica a doença renal causada pela diabetes. Evolui lentamente, sem dar sintomas, mas as alterações aparecem em análises:  inicialmente na urina e depois no sangue. Por esta razão, as pessoas que sofrem de diabetes devem fazer regularmente estas análises para detetar atempadamente alterações da função dos rins. A nefropatia diabética não tem tratamento, por isso, a melhor forma de a evitar é através da prevenção, o que implica um controlo adequado da glicemia e da tensão arterial. Deve ainda haver o cuidado de evitar fármacos que possam ser nocivos para os rins.

 

 P 

Peso seco – Designa o peso sem excesso de líquidos no corpo. Para cada indivíduo, o peso é definido em função de diversos aspetos, tais como: a idade, a pressão arterial e a estatura. Serve de referência em cada sessão de hemodiálise para a remoção de líquidos. O peso seco pode manter-se estável ou variar ao longo do tempo.

Potássio – O potássio é um mineral existente no sangue que atua ao nível celular, nos tecidos musculares e nos nervos. É um dos elementos que se encontra em maior concentração no interior das células, sendo o terceiro elemento de origem mineral mais abundante no corpo humano, sendo apenas ultrapassado pelo cálcio e pelo fósforo.

O potássio exerce funções importantes ao nível do relaxamento muscular, da secreção de insulina através do pâncreas e da conservação do equilíbrio ácido/base.

Um excesso ou deficiência deste mineral no plasma do sangue pode levar a complicações, principalmente cardíacas. A hipocalemia (concentração sanguínea de potássio mais baixa do que o normal) pode causar problemas de ritmo cardíaco e debilidade muscular, podendo dar origem a fadiga, cãibras musculares, paralisia e náuseas. A hipercalemia (aumento do nível de potássio no sangue), geralmente consequência de insuficiência renal, causa poucos sintomas, mas pode causar problemas no ritmo cardíaco.

A hipertensão arterial tem causa no desequilíbrio entre sódio e potássio. É por esta razão que quando existe excesso de sódio no organismo, é necessário compensar com um aumento de potássio, de modo a manter o equilíbrio existente entre os dois minerais em todos os líquidos do corpo. Também existe a necessidade de aumentar o consumo deste mineral em caso de vómitos, diarreias intensas ou excesso de urina.

Ao nível dos alimentos, o potássio encontra-se praticamente em todo o tipo de alimentos, seja de origem animal ou vegetal, embora exista em maior quantidade nos alimentos de origem vegetal. Apresenta uma elevada taxa de absorção, na ordem dos 90%, sendo esta realizada através do intestino delgado.

 

 Q 

Quelantes do fósforo – Substâncias com a capacidade de fixar o fósforo a nível intestinal de forma a que este não seja absorvido.

 

 S 

Sódio – Designa o elemento de origem animal que unido ao cloro forma o cloreto de sódio, ou sal, como vulgarmente é conhecido. Os alimentos de origem vegetal são pobres em sódio, sendo praticamente inexistente nas frutas e muito escasso em cereais e leguminosas. Contudo, os alimentos de origem vegetal que apresentam uma maior concentração de sódio são as algas, o aipo, os espinafres e as hortaliças. Pelo contrário, nos alimentos de origem animal, o sódio é abundante, como por exemplo no leite, carne, ovos e peixe. Existe, ainda, sódio adicionado em forma do sal comum aos enchidos, carnes curadas, queijos, etc. A todos estes alimentos adiciona-se sal, o que aumenta a sua concentração do sódio. O sódio possui uma elevada taxa de absorção. A totalidade deste mineral passa praticamente para o sangue, sendo função dos rins eliminar os excessos, o que em muitos casos corresponde a 90% do que é ingerido nos alimentos.

Em termos de saúde, o sódio é um dos elementos mais importantes do meio extracelular, contribuindo para manter o equilíbrio aquoso e ácido básico do organismo, retendo a água. Em casos de excesso, verifica-se perda de cálcio com a urina, edemas e hipertensão arterial.

O sódio adquire especial importância em casos de vómitos, diarreias intensas ou em casos de sudação abundante. Um dos principais causadores de hipertensão e outras doenças é o desequilíbrio entre sódio e potássio, visto que todos os alimentos de origem animal e também os processados, como queijo e enchidos, possuem mais sódio que potássio.

 

 R 

Rins –  São dois órgãos em forma de feijão, cada um com cerca de 10 cm a 12 cm de comprimento, e que se situam na região posterior do abdómen, localizando-se um de cada lado da coluna lombar. Devido às funções que desempenham, são considerados os órgãos por excelência na manutenção da saúde, na limpeza e desintoxicação do organismo: removem as toxinas presentes no sangue; removem o excesso de água; controlam o equilíbrio de alguns sais minerais (sódio, potássio, cálcio, fósforo); libertam as hormonas no sangue que regulam a pressão sanguínea (renina), participam na formação do sangue (eritropoietina) e fortalecem os ossos (vitamina D).

 

 T 

Taxa de filtração glomerular (TFG) – Medida da função renal que classifica a severidade da doença renal e permite prever as eventuais complicações e medidas a implementar para as prevenir/controlar. A taxa de filtração glomerular é calculada a partir da concentração da creatinina no sangue. Esta estimativa pode ser confirmada mediante a “depuração da creatinina”, conjugando este valor com a determinação dos níveis de creatinina na urina das 24 horas. Os glomérulos são pequenos filtros nos rins que removem substâncias que são tóxicas, quando em excesso no plasma sanguíneo, evitando a perda de componentes importantes, como as proteínas. Os rins normais filtram cerca de 200 litros de sangue, produzindo aproximadamente dois litros de urina. A taxa de filtração glomerular mede a quantidade de sangue filtrada pelos glomérulos em um minuto. Quando a função renal diminui devido a lesão ou doença, a taxa de filtração glomerular diminui e os resíduos tóxicos acumulam-se no sangue. A diminuição da filtração glomerular significa a perda de capacidade dos rins e precede o aparecimento de sintomas da falência renal, em todas as formas de doença renal progressiva.

Transplantação renal – Técnica terapêutica da doença renal crónica que consiste na colocação de um rim, de um dador cadáver ou de um dador vivo, no abdómen do recetor.

 

 U 

Uremia – Excesso de ureia e de outros compostos azotados no sangue como resultado dos rins não serem capazes de filtrar o sangue. A quantidade de ureia no sangue pode ser alterada por vários fatores, como os hábitos alimentares, o sedentarismo, a hidratação corporal e a forma como o organismo realiza o metabolismo. As causas da uremia são diversas, sendo de destacar as mais frequentes: diabetes, hipertensão arterial, doenças renais crónicas, traumas renais causados por acidentes de viação, hemorragias gastrointestinais e o consumo excessivo de álcool e drogas. Os sintomas podem ir desde náuseas, enjoos, mal estar geral, vómitos, fraqueza, dor de cabeça, sonolência até problemas ao nível da coagulação sanguínea e, nos casos mais graves, pode levar ao estado de coma. O diagnóstico é feito através do teste do nitrogénio ureico no sangue que indica alterações nas funções renais. O tratamento para a uremia é feito através da hemodiálise, que tem a capacidade de filtrar o sangue semelhante ao rim normal. Ter hábitos de vida saudáveis, como uma boa alimentação, praticar exercício físico e beber bastante água são fundamentais para evitar a uremia.

 

 

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