A gravidez é um período muito especial da vida de um casal e em particular, de uma mulher, mas pode parecer um sonho difícil de alcançar nas doentes renais.

 

O impacto da gravidez no rim

Nas mulheres sem doença renal, o sistema urinário sofre alterações anatómicas e funcionais para se adaptar ao novo estado: o fluxo sanguíneo ao rim aumenta até 60% o que leva a que a creatinina desça ligeiramente e a proteinúria suba (parâmetros que habitualmente servem para avaliar a função renal). Aumenta, ainda, a quantidade de água no corpo o que leva a uma diluição da hemoglobina (anemia da gravidez que é fisiológica) e a tensão arterial desce ligeiramente. Estas modificações normais podem não acontecer nas mulheres com doença renal.

 

Gravidez na doença renal crónica

As doentes renais têm mais dificuldade em engravidar. Quando acontece, a própria gravidez pode estar sujeita a mais complicações que numa mulher saudável, o que significa sempre uma gravidez de risco e implica seguimento mais próximo pelo obstetra e pelo nefrologista. Habitualmente, a doença renal não agrava durante a gravidez, mas pode ter um agravamento importante após o parto. O bebé também requer um acompanhamento particular. A causa da doença renal e o estádio (gravidade) da mesma também determinam a evolução da gravidez.

 

Gravidez em diálise

A gravidez em mulheres que fazem diálise é rara.

Existem relatos de gravidezes ocorridas em diálise peritoneal, mas o aumento do volume abdominal pela gravidez torna difíceis as trocas em diálise peritoneal, pelo que, se uma mulher em diálise peritoneal engravidar, deve ponderar-se passar para hemodiálise (ainda que temporariamente, durante a gestação).

Quando as mulheres em hemodiálise engravidam, veem o tratamento alterado. Entre outras alterações técnicas, devem fazer diálise diariamente (cinco a seis sessões/semana) para que os tóxicos não se acumulem e sofram o mínimo de variações possível para não afetar o bebé.

Tanto em diálise peritoneal como em hemodiálise, o risco de aborto é maior que numa doente que não faz diálise, e como tal o seguimento deve ser feito pelo obstetra e pelo nefrologista de forma regular e criteriosa.

 

Gravidez no transplante renal

Nas mulheres transplantadas renais a fertilidade é parcialmente restabelecida, pelo que é mais fácil engravidar. Estas gravidezes devem ser planeadas e acompanhadas, pois não deixam de ser gravidezes de risco. Um dos principais cuidados é a escolha da imunossupressão. Alguns fármacos podem afetar o bebé, pelo que o esquema de medicação pode ter que ser alterado. Neste contexto pode haver maior risco de rejeição do rim transplantado. No que se refere ao parto, este deve ser preferencialmente por via vaginal para não haver o risco de lesar o rim transplantado durante uma cesariana.

 

Gravidez em dadoras de rim

Se uma mulher doar um rim a um doente renal, a sua fertilidade não é afetada e a gravidez não implica maiores riscos que se tivesse os dois rins.

 

Os doentes com doenças crónicas aprendem a enfrentar adversidades. A dificuldade em engravidar pode ser uma delas, mas a esperança deve ser a última a perder-se.

 

 

Imagem:
de Janko Ferlič on Unsplash

ARTIGOS RELACIONADOS

SEM COMENTÁRIOS...

Deixar um comentário: