A tradição

O dia de S. Martinho celebra-se a 11 de novembro, data em que este santo foi enterrado em Tours, França, no ano de 397, dois a três dias após ter falecido.

Reza a lenda que, num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias, ao qual se deu o nome de “verão de São Martinho”.

O dia de São Martinho é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país. Em Portugal, é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho. Como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

Da ementa fazem parte as castanhas, de preferência assadas, e a água-pé, um vinho leve de baixo teor alcoólico, preparado com água e com os resíduos ou bagaço das uvas. Manda ainda a tradição que se mate o porco e que se plante o cebolinho.

Estes são hábitos que se repetem um pouco por todo o país. Em Vila do Conde, por exemplo, roscas de pão de trigo e nozes fazem companhia a um prato de castanhas. Em muitas regiões do Minho, a matança do porco é acompanhada por um grande magusto. Em Soeiro, perto de Bragança, um cortejo de homens e mulheres sai à rua para comemorar o dia do seu padroeiro e, como não podia deixar de ser, a festa é bem “regada”.

A tradicional Feira da Golegã é, talvez, a mais conhecida e tem já uma longa história. Chapéus, vestuário para montar, castanhas e água-pé juntam-se aos inevitáveis concursos, jogos e exibições equestres.

 

A história da castanha na nossa alimentação e o seu valor nutricional

Antes da batata chegar à Europa e se espalhar por todo o lado (séc. XVII), a castanha era a base da alimentação, especialmente no campo.

A castanha foi, provavelmente, um dos primeiros alimentos a serem consumidos pelo Homem, uma vez que há indícios do seu uso já na pré-história. Espalharam-se por toda a Europa a partir da Grécia. Durante a Idade Média, as pessoas tinham um acesso bastante limitado à farinha de trigo, e, então, as castanhas eram a sua principal fonte de hidratos de carbono.

Hoje, os portugueses voltaram a reconciliar-se com elas. Desprezadas na cozinha portuguesa durante muito tempo, são um alimento rico em nutrientes que está especialmente indicado para pessoas ativas e desportistas. A sua composição é mais aproximada à dos cereais do que à dos frutos secos, família a que pertencem. Por exemplo, são um dos frutos secos com mais hidratos de carbono (45,5 g/100 g) e menos quantidade de gordura (1,3 g/100 g).

A sua constituição calórica também é bastante reduzida (211 kcal/100 g), enquanto a mesma quantidade de amendoins ou amêndoas fornecem cerca de 571 Kcal e 619 Kcal, respetivamente.

O facto de terem muita água (39,4 g/100 g) é um dado muito importante a ter em conta. São pobres em sódio, mas ricas em potássio (571mg/100g), sendo, por isso, recomendado o seu consumo em quantidade reduzida pelas pessoas com doença renal crónica com necessidade de fazer restrição de potássio.

A forma mais generalizada e mais equilibrada para as consumir é na forma assada ou cozida. Pormenor perigoso, de salientar que, quando consumidas cruas, em algumas pessoas, podem provocar flatulência e logo desconforto abdominal. No caso das pessoas com doença renal crónica é aconselhável que sejam cozidas, porque parte deste mineral sai para a água da cozedura.

Os pacotes que se compram nos carrinhos de rua têm seis ou 12 castanhas. Vamos às medidas energéticas: 12 castanhas sem casca correspondem aproximadamente a 100 gramas, o que equivale a 211 calorias.

Quatro castanhas têm tanto potássio como uma maçã. A porção de castanhas que contém uma quantidade segura de potássio (195 mg) é cerca de quatro a seis unidades (40 g). Substitua as castanhas por uma das suas porções de fruta diárias.

Sendo assim, a castanha pode ser considerada um alimento histórico, nutritivo e cultural. No entanto, para doentes com patologias renais que necessitem de restrição de potássio, a sua ingestão deve ser muito controlada.

 

Bom São Martinho!

 

Imagem:
roasting-chestnuts de Armando Alves sob licença CC BY 2.0

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here