Portugal registou uma taxa de crescimento de transplantes de cerca de 15% relativamente a 2015.

“Este ano temos resultados muito favoráveis. Portugal dispõe de um dos programas mais avançados de transplantação a nível internacional e tem das taxas mais elevadas de dadores por milhão de habitantes”, sublinhou Fernando Araújo, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, para o Público.

O secretário de Estado falava na cerimónia de apresentação pública, que ocorreu a 7 de outubro, no Porto, do protocolo entre o Centro Hospitalar de São João (CHSJ), o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que tem como objetivo a otimização das colheitas de órgãos de dadores em paragem cardiocirculatória.

Trata-se de um projeto-piloto que já foi testado com sucesso no Centro Hospitalar de São João, no Porto. Perante casos de reanimação cardíaca irreversíveis, o São João testou o uso de uma máquina que bombeia e oxigena o sangue para fora do corpo com o intuito de preservar os órgãos abdominais da vítima, nomeadamente os rins e o fígado.

A assinatura do protocolo permite que a assistência a um doente em paragem cardiocirculatória se estenda ao ambiente extra-hospitalar, como seja na rua ou em casa. O doente é transportado ao hospital ventilado e sujeito a massagens ritmadas por um compressor cardíaco mecânico.

O diretor clínico do São João, José Artur Paiva, explicou aos jornalistas do Público que “O doente é transportado para o São João, onde já é possível utilizar uma tecnologia que faz passar o sangue por um circuito e por uma membrana que aumenta a probabilidade de recuperar a função do coração e, se isso for impossível, preserva os órgãos de forma que sejam capazes de serem transplantados”.

Em colaboração com as equipas da viatura médica de emergência de reanimação (VMER) deste Hospital, foi possível colher órgãos de seis dadores de paragem cardíaca no Hospital São João.

Fernando Araújo considera que “é expectável que este ano seja dos melhores anos de transplantes a nível nacional”. Acrescenta ainda que “Apesar disso queremos dinamizar e fazer crescer esta área” e, por isso, “a ideia é alargar este projeto para Lisboa e depois para Coimbra. Queremos aproveitar esta experiência para também tirarmos ilações, fazermos alguma reflexão, para depois implantarmos nas outras regiões do país”.

De referir que, em Portugal, apenas era feita colheita em doentes em morte cerebral. Desde 2010 que estava prevista a possibilidade de passar a ser feita a colheita de órgãos para transplante em dadores com paragem cardiocirculatória. O projeto-piloto que permitiu a colheita de órgãos de seis dadores em paragem cardíaca, bem como a assinatura do protocolo entre as três entidades referidas, representam um passo muito importante ao nível da transplantação em Portugal.

 

 

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7:19 am – Surgical procedure about to begin de Scott & White Healthcare sob licença CC BY-NC-ND 2.0