Síndrome Nefrótico

 

O que é um síndrome nefrótico?

  • O termo “síndrome nefrótica” refere-se a um conjunto de sintomas e alterações laboratoriais que ocorrem em associação decorrentes da presença de uma doença renal.
  • Diz-se que uma pessoa tem um síndrome nefrótico quando apresenta inchaço (também chamado de edema) da face e membros inferiores decorrentes de uma acumulação de líquidos nos tecidos (geralmente acompanhada de ganho de peso) que ocorre por perda de proteínas na urina (>3,5g/dia) o que consequentemente leva a que as proteínas no sangue – nomeadamente a albumina – desçam abaixo dos valores normais.

 

Como e porque se desenvolve o síndrome nefrótico?

  • O síndrome nefrótico desenvolve-se quando há uma lesão dos glomérulos renais (as estruturas que permitem filtrar o sangue).
  • Este dano permite que as proteínas do sangue (tal como a albumina) se percam para a urina, causando um aumento da excreção de proteína (proteinúria).

 

Quais as causas do síndrome nefrótico?

  • A lesão dos glomérulos pode ocorrer por uma doença primária dos rins (é o rim a origem do problema) ou associada a outras doenças sistémicas que causam lesão no glomérulo renal.
  • As doenças sistémicas que mais frequentemente causam síndrome nefrótica são:
    • a diabetes mellitus;
    • o lúpus eritematoso sistémico;
    • a amiloidose.
  • Existem também várias doenças renais que causam síndrome nefrótico.
  • Em crianças, a causa mais comum de dano glomerular é uma condição conhecida como doença de lesões mínimas.
  • No adulto, as formas mais frequentes são:
    • a nefropatia IgA;
    • a nefropatia membranosa;
    • a glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF);
    • a glomerulonefrite membrano-proliferativa.
  • Os medicamentos também podem causar estas lesões nos glomérulos.

 

Quais os sintomas do síndrome nefrótico?

  • Os sintomas mais comuns são:
    • inchaço;
    • ganho de peso;
    • fadiga.
  • O aumento da excreção de proteína pode conferir um aspeto “espumoso” à urina.
  • Em algumas pessoas a doença pode evoluir até à Insuficiência renal. O declínio gradual da função renal não causa sintomas nas fases iniciais. À medida que a função renal agrava podem surgir sintomas como anemia e perda de apetite.
  • A longo prazo, assiste-se também a um aumento concentração de lipídios (colesterol e/ou triglicéridos) no sangue (dislipidémia) que leva a um aumento do risco cardiovascular.
  • Podem ainda desenvolver-se estados de hipercoagulabilidade (risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos nas veias ou artérias) e de infeção.

 

Como se faz o diagnóstico do síndrome nefrótico?

  • O síndrome nefrótico é diagnosticado com base na apresentação clínica e nas alterações dos testes laboratoriais, incluindo testes de urina e sangue. Estes servem para:
    • quantificar a quantidade de proteína na urina que nos dá uma dimensão da gravidade do problema;
    • avaliar a função renal global;
    • avaliar o risco de complicações;
    • ajudar a determinar a causa subjacente da síndrome nefrótica.
  • Independentemente destes exames, o diagnóstico de certeza só é possível através de um exame que se chama biópsia renal.

 

Como se trata o síndrome nefrótico?

  • O tratamento do síndrome nefrótico começa por controlar os sintomas e diminuir a perda de proteínas no urina. No entanto, o tratamento definitivo da doença passa por tratar a causa subjacente.
  • No caso de a causa ser uma doença sistémica, o tratamento do síndrome nefrótico passa por controlar a doença de base, por exemplo:
    • Diabetes mellitus – controlo rigoroso dos níveis de açúcar no sangue (glicemia), colesterol e pressão arterial.
    • Lúpus – medicamentos que suprimem o sistema imunológico.
  • No caso de uma doença primária do rim, o tratamento passa por fazer medicação dirigida a cada situação específica.
  • Em algumas situações, como o caso da doença de lesões mínimas em crianças, esta pode ser autolimitada (passa sem tratamento), mas esta avaliação depende sempre de um seguimento rigoroso por um médico nefrologista. Algumas doenças curam completamente com o tratamento, outras precisam de vários “ciclos” de tratamento e nos piores casos, podem evoluir para insuficiência renal terminal com necessidade de uma técnica de substituição da função renal.

 

Como se previne o síndrome nefrótico?

  • No caso da síndrome nefrótica associado a doença sistémica, a prevenção passa pelo controlo rigoroso da doença de base.
  • As doenças primárias do rim não são passíveis de prevenção a menos que sejam causadas por medicamentos. Existem alguns fármacos mais frequentemente associados a doença renal que outros (por exemplo: os anti-inflamatórios não esteroides), mas prever quem vai desenvolver doença renal não é possível.

 

O síndrome nefrótico é uma situação rara, mas potencialmente muito grave pelo que deve ser sempre avaliada por um nefrologista para correto acompanhamento.

 

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