Dois hospitais, seis cirurgias, três órgãos e uma sintonia perfeita foram os componentes essenciais deste feito que fica para a história da transplantação renal em Portugal. O primeiro transplante renal triplo entre dadores vivos realizou-se entre hospitais de Lisboa e Porto no passado mês de setembro e os resultados positivos são um esperança para especialistas e doentes.

A falta de compatibilidade entre familiares acabou por unir três famílias neste processo, que conforme dita a lei, não se conhecem. Este transplante cruzado, cujas intervenções cirúrgicas foram realizadas no Hospital de Santo António (Porto) e no Hospital de Santa Cruz (Lisboa), realizou-se entre cônjuges de três casais e exigiu total sincronização entre as equipas médicas, avança a RTP.

O transplante cruzado consiste na dádiva entre membros de famílias diferentes por falta de compatibilidade entre parentes ou cônjuges.

“O primeiro passo foi a entrada dos doentes no bloco às 8h00 e ter o cuidado de que as duas cirurgias começassem ao mesmo tempo. Após a saída dos órgãos, os recetores são também chamados mais ou menos ao mesmo tempo. Tínhamos duas brigadas nos hospitais respetivos à espera desses órgãos, que quase em simultâneo partiram para os seus destinos”, explicou Fernando Nunes, Enfermeiro do Gabinete de Coordenação de Transplantação do Centro Hospitalar do Porto.

O transplante cruzado consiste na dádiva entre membros de famílias diferentes por falta de compatibilidade entre parentes ou cônjuges e o sucesso da primeira intervenção deste género ao nível nacional abre novas possibilidades e aumenta a esperança de quem aguarda por um órgão compatível.

(…)é possível haver transplantes entre pessoas incompatíveis desde que assim o queiram.

“Espero que sirva para propagar a ideia entre os doentes e os seus potenciais dadores de que é possível haver transplantes entre pessoas incompatíveis desde que assim o queiram”, disse à RTP Leonídio Dias, Coordenador de Transplantes de Dador Vivo do C.H. do Porto.

Atualmente, existem 20 pares inscritos no programa de transplante cruzado, um número ainda reduzido. A possibilidade de Portugal e Espanha estabelecerem protocolos para a troca de pares está em cima da mesa, sendo que existem atualmente cerca de 100 pares escritos no programa de transplante cruzado no país vizinho.

 

Imagem:
Screenshot da reportagem da RTP ‘Seis cirurgias num só dia permitem primeiro transplante renal triplo em Portugal‘ de Paula Rebelo, Rui César, Marcelo Sá Carvalho de 19 Set 2015

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