Sardinhas

cair ou não nesta tentação de verão?

 

Quem realiza hemodiálise tem necessidade de fazer algumas adaptações à sua alimentação. Uma das indicações dietéticas prende-se com a necessidade de assegurar um correto aporte de proteínas, cujas necessidades são maiores para quem faz hemodiálise.

Quem faz hemodiálise pode ou não consumir sardinhas?

Falar de sardinhas prende-se com a sua composição, mas também com a tradição associada ao seu consumo nesta época do ano. Este peixe é rico em proteínas, mas tem minerais que podem ter de ser restritos nesta alimentação, como o fósforo, o sódio (vulgarmente conhecido por sal) e o potássio. Contém, ainda, ácidos gordos ómega 3 que apresentam benefícios nas doenças cardiovasculares e no processo inflamatório. Este papel já foi estudado em indivíduos a realizar hemodiálise em Portugal, onde foram provados benefícios1.

O efeito favorável para a saúde que está associado ao consumo da sardinha, leva a questionar se quem faz hemodiálise deve ou não consumir este peixe. No caso de apresentar valores de fósforo séricos elevados, consulte o seu dietista ou médico assistente para avaliar a possibilidade da inclusão de sardinhas na sua ementa.

Procedemos à análise do seu conteúdo em minerais como o potássio, o fósforo e o sódio e comparámos com o fornecido por outros peixes. Para facilitar, apresentamos os resultados em percentagem das necessidades diárias de um adulto (gráfico de barras nº 1). A dose analisada foi de 3 sardinhas pequenas (100 g) e comparada com igual quantidade dos diferentes peixes. Atenção, no seu caso estas necessidades podem ser diferentes, peça opinião ao seu dietista!

 

Verão e sardinhas - gráfico

Gráfico de barras nº 1. Percentagem de fósforo, sódio (sal) e potássio face às necessidades diárias de um adulto a realizar hemodiálise para 100 g de alimento (equivalente a 3 sardinhas). Recomendações EBPG, 2007 para um adulto de 70 kg: 2300 mg K (potássio), 900 mg P (fósforo) e 2300 mg Na (sódio)2.

 

Exemplo: 100 g de bacalhau cozido representa 40% das necessidades diárias em sódio, 9% em fósforo e 1% em potássio.

A sardinha enlatada pode ser uma alternativa quando há dificuldades na confeção culinária ou na aquisição de géneros frescos. Colocada no pão fornece uma boa quantidade de proteína numa refeição tipo ‘snack’ que, devido ao horário das sessões de hemodiálise, muitas vezes substitui a refeição do almoço ou jantar, que são habitualmente mais ricas em proteínas.

 

Se não existir indicação dietética em contrário, podemos recomendar sardinhas. Este alimento tem uma boa relação proteína/custo e o seu consumo nas porções referidas, fornece quantidades de minerais idênticas aos outros peixes, tendo a vantagem de ser rica em ómega 3.

 

 

Bibliografia:

  1. Moreira AC, Gaspar A, Serra MA, Simões J, Lopes da Cruz J, Amaral TF. Effect of a sardine supplement on C-reactive protein in patients receiving hemodialysis. Ren. Nutr. 2007 May; 17(3): 205-13.
  2. Fouque D, Vennegoor M, ter Wee P, Wanner C, Basci A, Canaud B, Haage P, Konner K, Kooman J, Martin-Malo A, Pedrini L, Pizzarelli F, Tattersall J, Tordoir J,Vanholder R. EBPG guideline on nutrition. Nephrol Dial Transplant. 2007 May; 22 Suppl 2:ii45-87.

 

 

Imagem:
bbq sardines de Paulo Joseph sob licença CC BY 2.0

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