Significado dos alimentos tradicionais da Páscoa

 

Peixe

Trata-se de um símbolo trazido pelos apóstolos que eram pescadores. É um símbolo de vida, usado pelos primeiros cristãos, no acróstico IXTUS – peixe em grego. As letras são as iniciais de “Iesus Xristos Theos Huios Sopter” que significam “Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador”.

O peixe é um alimento de fácil digestão, possui proteínas de elevado valor biológico, é rico em vitaminas do complexo B (B1, B2, B3 e B12), A e D e sais minerais (iodo, fósforo, sódio, potássio, magnésio, ferro e cálcio). Os minerais encontram-se especialmente nas vísceras e nas espinhas.

Uma das particularidades que torna este grupo de alimentos especialmente importante é o tipo de gordura polinsaturada que nos fornece, o ómega 3. Esta gordura exerce uma função preventiva e terapêutica para a doença cardiovascular.

Nos doentes em diálise, diálise peritoneal ou transplantados não ingerir quantidades suficientes de proteínas pode causar desnutrição, perda de peso, fraqueza muscular e problemas de saúde. A desnutrição é um sério risco para estes doentes. A maioria das pessoas é incentivada a comer mais proteínas de “alta qualidade” (por exemplo, peixe e carne). No entanto, antes de iniciar um tratamento de substituição renal, o nefrologista/dietista pode recomendar que o doente siga uma dieta com baixo teor de proteínas para preservar a função renal. Nessa fase devem reduzir a quantidade de peixe, mas devem dar preferência ao peixe, em detrimento da carne, pelo seu conteúdo em ómega 3.

 

Cordeiros

Fazem parte dos cordeiros, o borrego e o cabrito. O cordeiro simboliza Cristo – o cordeiro de Deus – que se sacrificou em favor de todo o rebanho, que são os homens.

 

Folar da Páscoa

Tem particular relevância pela diversidade de escolha. Por exemplo, o folar transmontano tem apenas dois pontos em comum com o da Estremadura: o nome e a referência à Páscoa. Acrescente-se, contudo, que a tradição do folar, qualquer que ele seja, assenta num ritual de dádiva, solidariedade e convívio profundamente enraizado na sociedade portuguesa.

O folar mais corrente em Portugal é um bolo de massa seca, doce, e ligada, feito com farinha de trigo, ovos, leite, azeite ou banha, açúcar e fermento, e condimentado com canela e erva-doce (uma espécie de fogaça) encimado, conforme o seu tamanho, por um ou vários ovos cozidos inteiros e em certos lugares tingidos, meio incrustados e visíveis sob as tiras de massa que os recobrem.

O folar de Trás-os-Montes é uma bola redonda em que a massa, confecionada com farinha, ovos, leite, manteiga e azeite, alberga no seu interior bocados de carne variadas, sobretudo porco, presunto, chouriço e salpicão. Estes últimos são alimentos muito ricos em sódio pelo que devem ser evitados pelos doentes nas diferentes fases da doença renal crónica. Por outro lado, também são ricos em potássio e fósforo.

Entre Douro e Minho, o bolo pascoal é o pão-de-ló. O pão-de-ló contém 69 mg de potássio por 100 g. Uma fatia de pão-de-ló tem entre 45 g a 60 g. O folar doce tem cerca de 200 mg de potássio por 100 g.

 

Chocolate e Cacau

Falar da Páscoa sem falar em chocolate e falar de chocolate sem falar de cacau é quase impossível. Toda a sua história e propriedades nutricionais estão intimamente ligadas. As sementes de cacau foram utilizadas como moeda de troca pelos Índios (Maias e Astecas), por serem consideradas um alimento muito precioso. Foram os europeus que adicionaram o leite e o açúcar para criar o chocolate.

A pasta de cacau é muito rica em gordura, cerca de 35% é gordura insaturada, nomeadamente ácido gordo oleico, que também se pode encontrar no azeite. Este ácido gordo é conhecido por elevar o colesterol sanguíneo HDL (conhecido por ‘bom’ colesterol) e baixar o colesterol LDL (conhecido como ‘mau’ colesterol). A pasta de cacau também é muito rica em flavonoides, substâncias que contribuem para uma menor oxidação do colesterol LDL, evitando assim o envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos (aterosclerose).

A capacidade estimulante do cacau deve-se à presença da teobromina que, apesar de possuir propriedades semelhantes à cafeína, produz um impacto físico e mental menor que a cafeína.

Os chocolates com um teor elevado de cacau são referidos em alguns estudos recentes por apresentarem benefícios para o coração e para os vasos sanguíneos.

O chocolate rico em cacau contém também um tipo específico de flavonoide (epicaquetina) responsável por uma melhor circulação sanguínea, uma vez que promove a libertação de substâncias vasodilatadoras.

Na Páscoa é muito mais difícil manter a dieta e resistir a tantos tipos de chocolate, mas seja o chocolate de leite, o meio amargo (negro) ou o branco, todos eles são muito ricos em potássio (100 g de chocolate contém entre 380 mg a 422 mg de potássio). Cerca de 100 g de chocolate equivale a 15 a 20 quadradinhos de chocolate.

O cacau em pó contém 1840 mg de potássio por 100 g e o pó achocolatado pode conter entre 732 mg a 942 mg de potássio por 100 g, dependendo do seu teor em gordura.

Uma colher de sobremesa de pó achocolatado equivale a 3 g de peso, se for com maior teor de gordura essas 3 g vão conter 22 mg de potássio.

O cacau em pó também é calórico, devido às quantidades elevadas de gordura e açúcar que contém.

Se os seus níveis de fósforo estiverem elevados, deve reduzir a ingestão de alimentos ricos em fósforo, nomeadamente o chocolate e as amêndoas.

 

Ovo de Páscoa

Por representar o nascimento e a vida, presentear com ovos era um costume antigo entre os povos do Mediterrâneo. Durante as festividades para comemorar o início da primavera, na época da plantação, os ovos eram cozidos, pintados e presenteados, representando a fertilidade e a vida. O costume passou a ser seguido durante as festividades dos cristãos, na qual os ovos eram pintados com imagens de Jesus e Maria, representando simbolicamente o nascimento. Muitas culturas mantêm até hoje este costume. Tornou-se uma tradição oferecer como presente o ovo fabricado com chocolate no Domingo de Páscoa.

 

Amêndoas da Páscoa

São um dos doces mais consumidos em Portugal durante a Páscoa. São geralmente formados por uma amêndoa coberta de açúcar ou chocolate, embora haja muitas variantes.

Esta pode “cobrir-se” de vários tipos de açúcar (branco, amarelo ou em pó) ou de chocolate (branco, castanho ou preto). Há cores, feitios e paladares para todos os gostos.

A troca de presentes que ocorre em algumas regiões (frequentemente de um padrinho para um afilhado) é também denominada de “dar as amêndoas”, sendo acompanhada de um saco de amêndoas.

As amêndoas pertencem à família das oleaginosas, 100 g de amêndoas fornecem cerca de 600 Kcal (quilocalorias). Este valor deve-se sobretudo ao elevado teor em gordura, mono e polinsaturada.

Os doentes com doença renal crónica devem ter especial atenção quando consomem este fruto, pois possui um elevado teor de potássio e fósforo, principalmente as amêndoas com cobertura de chocolate. Por exemplo, 100 g de miolo de amêndoa tem 855 mg de potássio. Cerca de 10 amêndoas com pele têm 10 g, ou seja, 85,5 mg de potássio. Se a cobertura for de chocolate, o valor de potássio e fósforo irá aumentar, pois o chocolate também é rico em potássio e fósforo, como referido anteriormente.

 

Coelho de Páscoa

Por se reproduzir em grandes ninhadas, representa o nascimento e a vida, sendo um símbolo da fertilidade. Está relacionado às festividades da Páscoa por representar a esperança de vida na Ressurreição de Jesus Cristo. Vários povos da antiguidade já consideravam o coelho como símbolo da fertilidade, pois com a chegada da primavera, eram os primeiros animais a saírem das suas tocas. Com o passar dos tempos os coelhinhos de chocolate entraram para os costumes das festividades da Semana da Páscoa. Assim como os ovos de chocolate, os coelhinhos tornaram-se numa tradição de presente no Domingo de Páscoa.

 

 

O que importa mesmo é a união com a família. Se não conseguir resistir aos ovos, aos coelhos de Páscoa ou às amêndoas, consuma numa quantidade muito reduzida.

Tenha em conta todos os alimentos que ingere nesse dia no que diz respeito ao potássio e fósforo.

Dê preferência ao folar doce e ao pão-de-ló, mas não exagere, pois embora estes alimentos contenham menos potássio, têm um valor razoável de fósforo.

 

Imagens:
workshop pascoa de silvia dias jorge sob licença CC BY-NC-SA 2.0
Hilsa fish de WorldFish sob licença CC BY-NC-ND 2.0
Lamb-2 de Roger Davies sob licença CC BY 2.0
Folar de Débora Figueiredo sob licença CC BY-NC-ND 2.0
chocolates de mel sob licença CC BY-NC-SA 2.0
ostern de Martin Abegglen sob licença CC BY-SA 2.0
Easter Bunny Leavings de arbyreed sob licença CC BY-NC-SA 2.0
Happy Easter to you! de Chiarissima sob licença CC BY-NC-SA 2.0