Hoje vamos falar um pouco do doente renal crónico aos olhos da Assistente Social, das nossas preocupações e cuidados que temos com o doente, mas também com o seu universo social.

Não podemos esquecer que viver o problema lado a lado também gera sofrimento e na maioria das situações não conseguem manifestar-se conforme pretendido.

Os protagonistas deste artigo são os cuidadores, pilares de extrema importância no processo de recuperação e bem-estar do doente. É de realçar que com a realidade atual do país, em que nos deparamos com escassos recursos sociais, estes assumem um papel cada vez mais decisivo em todo o processo.

São muitas vezes os heróis, sem menosprezar o doente e tudo o que acarreta esta doença, mas não podemos esquecer que viver o problema lado a lado também gera sofrimento e na maioria das situações não conseguem manifestar-se conforme pretendido.

Têm a árdua tarefa de ser o porto seguro, de transmitir confiança e segurança, mesmo quando os próprios precisariam de apoio. A sua existência é essencial para o doente renal conseguir fazer o seu percurso como doente de forma positiva, de encarar o seu tratamento com motivação e sentir que tudo vale a pena para se manter vivo.

Surgem momentos difíceis, muito difíceis mesmo, a vontade de desistir, o cansaço, a desmotivação, entre tantos outros sentimentos de angústia, ter um cuidador que se torna seu companheiro nesta luta é imprescindível.

É necessário muita persistência por parte do cuidador para também ele não desistir e “abandonar o barco”, pois o facto de não ser ele o doente, para a sociedade torna-o secundário. É comum acabar no esquecimento, uma posição que exige inúmeras obrigações e onde se usufruem de poucos direitos. É obrigado a ouvir, a apoiar, a estar disponível 24 horas, a acompanhar em consultas, a estar presente nos internamentos, a vigiar, entre outras tarefas, nomeadamente os cuidados nas AVD (Atividades de Vida Diária), tais como: higiene pessoal, alimentação, limpeza da casa, etc.

Ninguém pergunta se estão bem ou se estão exaustos. Para o Assistente Social deve existir uma preocupação com estes cuidadores, é imperativo manter o seu compromisso com o doente, a relação entre estes três vértices deve ser preservada e estimulada.

Cuidadores, amigos, companheiros, existem diversas formas de os apelidar de forma carinhosa.

Obrigada pela vossa existência, pela vossa dedicação e empenho para que estes doentes sejam capazes de ultrapassar todos os obstáculos e que se mantenham pessoas felizes.

Imagem:
Dobrisa and Jill at home de Charlie Llewellin sob licença CC BY-NC-SA 2.0

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here